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ANUNCIANTES · 5 min de leitura · 13 out 2026

O fim da busca como você conhecia: para onde vai a atenção que o Google não entrega mais

Eduardo Prange
Eduardo Prange
CMO - Chief Marketing Officer

Eduardo Prange é CMO da Alright e CEO e cofundador da Zeeng, plataforma SaaS de social media benchmarking. Cofundador da Seekr, empreendedor Endeavor e professor do MBA de AI e Data Science da PUCRS, é especialista em Creator Economy, inteligência artificial e dados aplicados ao marketing. No @ocaradosrankings, transforma dados em rankings que explicam a influência digital.

O tráfego de sites via Google Search caiu entre 20,6% e 34% no último ano no Brasil por causa dos resumos de IA (AI Overviews), que respondem à pergunta do usuário sem exigir clique. Para o anunciante, a consequência é que o inventário que antes vivia da busca perde alcance, e a atenção se redistribui para ambientes com relação direta com o leitor, como veículos regionais, newsletters e redes sociais.

O fim da busca como você conhecia: para onde vai a atenção que o Google não entrega mais

A busca, canal que sustentou duas décadas de marketing de performance, está encolhendo. Estudos independentes mostram quedas de 20,6% a 34% no tráfego que o Google Search envia a sites no Brasil, por causa dos resumos gerados por IA. O Cade abriu processo administrativo contra o Google por isso. Para o anunciante, a pergunta deixa de ser "como eu apareço na busca" e passa a ser "onde a atenção do meu consumidor está indo, agora que ela não passa mais pelo link azul".

O tamanho da queda

Os números não deixam margem para dúvida. Um estudo da Authoritas, apresentado ao Cade, estimou que a exibição do AI Overviews reduz o tráfego para sites de notícias em pelo menos 20,6%, com a taxa de clique no primeiro resultado orgânico caindo de 21,4% para 8,93%. Dados da Chartbeat, compartilhados com a Axios, são ainda mais duros: o tráfego do Google Search para editoras caiu 34% em um ano, com empresas de médio porte perdendo 47% e grandes grupos, 22%.

O fenômeno tem nome: zero-click. No início de 2026, cerca de 68% das buscas no Google terminaram sem nenhum clique, segundo dados compilados pelo Search Engine Land. A Ahrefs mediu uma queda de 58% no CTR da primeira posição orgânica desde a chegada dos resumos de IA.

Isso virou caso de concorrência no Brasil

Em abril de 2026, o Cade abriu processo administrativo contra o Google, por unanimidade, para investigar o impacto dos AI Overviews sobre veículos de notícias brasileiros. Segundo o conselho, o Google nega a captação indevida de audiência e aponta ferramentas como a tag "nosnippet" e o Google News Showcase, que remunera mais de 170 veículos no Brasil. A ANJ e o movimento Sleeping Giants pediram o aprofundamento da investigação. O processo segue em curso, sem prazo de conclusão.

Não é um debate teórico de SEO. É uma disputa regulatória sobre quem fica com o valor que antes ia para quem produzia o conteúdo.

Por que isso é problema do anunciante, não só do publisher

A reação natural é pensar que essa é uma crise de veículo de notícia. Mas o orçamento de mídia segue a atenção, e a atenção está se movendo. Três consequências diretas para quem compra mídia:

1. O conteúdo patrocinado perde a porta de entrada que tinha. Se o artigo que a marca ajudou a produzir não é mais clicado porque a resposta já apareceu resumida na busca, o investimento em SEO perde retorno.

2. A audiência que ainda clica é mais qualificada, mas menor. O próprio estudo da Authoritas reconhece que os cliques que sobram têm maior tempo de permanência. É um público mais raro e mais valioso, e por isso mais disputado.

3. Quem depende só de busca está exposto a uma variável que não controla. Uma mudança de algoritmo, de um dia para o outro, redesenha todo o funil de aquisição de uma marca que apostou nisso.

Onde a atenção está indo

Ela não desaparece, ela se realoca. Três destinos, com evidência:

Ambientes de relação direta. Newsletter, canal de mensagens, redes sociais e veículos que o leitor visita por hábito, não por resultado de busca, ganham peso relativo porque não dependem do ranking do momento.

Ambientes de confiança declarada. O Digital Adspend 2026, do IAB Brasil com o Ibope, mostrou que a parcela de consumidores que diz prestar mais atenção em sites de confiança subiu de 60% para 63% entre 2023 e 2025. No Brasil, jornais regionais e locais aparecem com 57% de confiança no Digital News Report 2026, à frente das grandes marcas nacionais.

Resposta de IA, mas sem o clique de antes. Em buscas comerciais e de marca, o impacto é menor, porque o usuário ainda quer decidir sozinho. É nesse recorte que vale investir em GEO (otimização para mecanismos generativos): dados estruturados, autoria clara, resposta direta no início do conteúdo. Mas o volume de tráfego que esse canal recupera não compensa o que a busca informacional perdeu.

O que fazer com o orçamento

  1. Audite a dependência de busca. Que fatia do funil de aquisição da marca depende de SEO ou de search paga, e o que acontece se esse canal encolher mais 20% no próximo ano?
  2. Redistribua para ambientes de relação direta. Veículos regionais, com audiência própria e recorrente, não dependem do algoritmo de busca para entregar a mensagem.
  3. Priorize contexto e confiança na escolha de mídia. É exatamente o que o consumidor diz que pesa mais, segundo o próprio Adspend 2026.
  4. Trate GEO como complemento, não substituto. Ajuda a recuperar parte da visibilidade perdida, mas não devolve o volume de antes.
  5. Meça por canal de origem, não só por conversão final. Um funil que dependia 40% de busca orgânica precisa de um plano de contingência, não de um ajuste de palavra-chave.

A rede regional como resposta estrutural

A Alright conecta marcas a veículos regionais identificados em 558 microrregiões, com cobertura de 2.712 municípios, relatório aberto por praça e tráfego inválido abaixo de 1%. É mídia que chega ao consumidor por relação direta com o veículo, não por posição em uma página de busca que muda de regra sem aviso. Fale com o time comercial para reduzir a dependência de um único canal.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quanto caiu o tráfego de busca por causa da IA?

Estudos citados no processo do Cade apontam quedas entre 20,6% e 34% no tráfego que o Google Search envia a sites brasileiros, dependendo da metodologia e do porte do site.

O que são AI Overviews?

São resumos gerados por inteligência artificial que aparecem no topo da página de busca do Google, respondendo à pergunta do usuário sem exigir que ele clique em um link.

O Cade está investigando o Google por isso?

Sim. Em abril de 2026, o Cade abriu processo administrativo para apurar o impacto dos AI Overviews sobre veículos de notícias brasileiros e o uso de conteúdo jornalístico sem remuneração.

Isso afeta só os veículos de notícia?

Não. Afeta qualquer marca que dependa de tráfego de busca orgânica ou de conteúdo patrocinado indexado, porque a origem da atenção está mudando.

O que é GEO?

Generative Engine Optimization: o conjunto de práticas para que um conteúdo seja citado como fonte dentro de uma resposta gerada por IA, e não apenas listado nos resultados tradicionais.

Qual a alternativa a depender só de busca?

Diversificar para ambientes de relação direta com o consumidor, como veículos regionais com audiência própria, newsletters e canais de mensagem, que não dependem do algoritmo de um único buscador.

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