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BLOG · 3 min de leitura · 03 dez 2024

Lançado “Manual para Cobertura Jornalística de Desastres Climáticos”

Ohana Luize
Ohana Luize
Editora de conteúdo

Atua na assessoria de imprensa e no time de marketing da Alright. Jornalista e Relações Públicas com mestrado em Comunicação, está cursando pós-graduação em Educomunicação e Tecnologia. Desde 2014, trabalha em assessoria de comunicação e imprensa para empresas públicas, privadas e do terceiro setor.

O “Manual para a Cobertura Jornalística dos Desastres Climáticos” ensina jornalistas a abordar desastres como crises socioambientais contínuas, explorando causas estruturais e impactos duradouros, crucial em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais devastadores.

Lançado “Manual para Cobertura Jornalística de Desastres Climáticos”

No dia 19 de novembro, foi lançado no canal do YouTube d’O Eco o Manual para a Cobertura Jornalística dos Desastres Climáticos, um guia criado para aprimorar a abordagem de um dos maiores desafios contemporâneos: a crise climática. Organizado pelas professoras e pesquisadoras Márcia Franz Amaral (UFSM), Eloisa Beling Loose e Ilza Maria Tourinho Girardi (UFRGS), o manual busca fornecer ferramentas práticas e reflexivas para jornalistas e comunicadores enfrentarem a complexidade dos desastres climáticos.

A publicação parte do pressuposto de que desastres não são eventos puramente naturais, mas resultados da interação entre vulnerabilidades sociais e impactos ambientais exacerbados pela ação humana. Segundo as pesquisadoras, a cobertura jornalística desses eventos ainda é superficial, limitada aos momentos de emergência e focada em tragédias isoladas, sem explorar as causas estruturais ou as consequências duradouras.

Esse cenário se agrava em um contexto global onde eventos climáticos extremos, como secas, inundações e furacões, têm se tornado mais frequentes e devastadores. No Brasil, o desastre de 2024 no Rio Grande do Sul, que impactou mais de dois milhões de pessoas e causou 183 mortes, exemplifica essa realidade. O manual propõe uma abordagem contínua e contextualizada para ampliar o entendimento público sobre a crise climática e suas implicações sociais.

Capítulos do manual

A estrutura do manual cobre tópicos relevantes:

  1. “Para Entender um Desastre”: explora como desastres resultam de interações entre fatores humanos e socioeconômicos, desafiando a narrativa de que são eventos naturais isolados.
  2. “Dez Tópicos sobre o Sistema de Gestão de Riscos de Desastres no Brasil”: detalha a estrutura do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec), abordando monitoramento, alertas, evacuações, voluntariado e liberação de recursos emergenciais.
  3. “Ciclo de Atenção Jornalística aos Riscos e Desastres”: analisa as etapas da cobertura jornalística, desde a reação imediata até o acompanhamento de longo prazo.
  4. “Dez Pontos Sensíveis da Cobertura de Desastres Climáticos”: destaca os desafios de selecionar fontes confiáveis, evitar desinformação e integrar interseccionalidades na narrativa.
  5. “Dez Ideias de Pautas sobre os Desastres”: sugere temas inovadores, como as relações entre desastres e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), saúde pública e a memória coletiva em contextos de tragédia.

O manual ainda apresenta um guia de fontes confiáveis e siglas recorrentes, assegurando precisão nas reportagens sobre mudanças climáticas.

Manual aborda o papel transformador do jornalismo na crise climática

No evento de lançamento, as jornalistas Kelly Matos (Rádio Gaúcha) e Cláudia Gaigher (especialista em socioambiental) reforçaram a necessidade de transversalizar o tema ambiental no jornalismo. Kelly destacou que a cobertura climática deveria estar integrada a outras editorias, como economia e política, dada sua relevância cotidiana. Cláudia enfatizou a importância de fontes confiáveis para informar o público sobre o desequilíbrio climático.

O manual, disponível gratuitamente, não apenas orienta a cobertura jornalística, mas também convida à reflexão sobre o papel do jornalismo na sensibilização da sociedade e na promoção de soluções. Não é apenas um recurso técnico, mas um chamado à ação. Ele desafia jornalistas a repensarem suas práticas e a incorporarem a crise climática como uma pauta central e contínua, conectada às questões sociais e políticas.

Ao incentivar uma cobertura mais qualificada, o manual contribui para o fortalecimento do jornalismo ambiental, essencial para enfrentar os desafios do século XXI e construir um futuro mais informado e sustentável.

A publicação pode ser baixada gratuitamente aqui.

Com informações do Site O Eco

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