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PUBLISHERS · 9 min de leitura · 17 set 2026

10 dicas de conteúdo para publishers serem encontrados por gente e por IA

Eduardo Prange
Eduardo Prange
CMO - Chief Marketing Officer

Eduardo Prange é CMO da Alright e CEO e cofundador da Zeeng, plataforma SaaS de social media benchmarking. Cofundador da Seekr, empreendedor Endeavor e professor do MBA de AI e Data Science da PUCRS, é especialista em Creator Economy, inteligência artificial e dados aplicados ao marketing. No @ocaradosrankings, transforma dados em rankings que explicam a influência digital.

A busca deixou de ser a porta principal. Pela primeira vez, redes sociais e YouTube superaram sites e apps de notícias como porta de entrada para a informação no mundo, e os próprios veículos esperam perder quase metade do tráfego de busca nos próximos três anos. As dez práticas abaixo servem a um único objetivo: fazer com que o seu conteúdo seja encontrado, citado e lido, seja por uma pessoa, por um buscador ou por um assistente de IA.

10 dicas de conteúdo para publishers serem encontrados por gente e por IA

O cenário, em três números

O uso de chatbots para consumir notícia passou de 7% para 10% das audiências globais em um ano, e apenas 42% dos usuários dizem clicar sempre ou com frequência no link da fonte original. No Brasil, o quadro é ainda mais avançado: chatbots (13%) e podcasts (11%) já superam a mídia impressa (7%) como fonte de informação.

Ao mesmo tempo, o tráfego que vinha das redes minguou. As indicações vindas do Facebook caíram 43% e as do X caíram 46% em três anos, segundo dados do Chartbeat citados pelo Reuters Institute. E a busca, que ainda é a maior fonte de tráfego, começou a ceder.

A leitura pessimista é óbvia. A leitura útil é outra: quando o volume genérico perde valor, o conteúdo local, original e bem estruturado passa a valer mais. É exatamente o ativo que um veículo regional tem e um modelo de linguagem não consegue produzir sozinho.

1. Responda primeiro, contextualize depois

O lead tradicional segura a informação para criar tensão. Máquinas de resposta fazem o contrário: extraem o trecho que responde de forma direta e autônoma. Comece cada matéria e cada bloco com uma frase que responde à pergunta central, em linguagem simples, e só depois desenvolva contexto, histórico e análise.

Na prática, significa abrir com "a prefeitura confirmou o reajuste de 8% na tarifa do transporte a partir de 1º de março" em vez de três parágrafos sobre a reunião em que isso foi decidido. Quem lê agradece. Quem cita também.

2. Escreva a partir da pergunta real do leitor

Títulos e intertítulos que reproduzem a pergunta como as pessoas a fazem funcionam duas vezes: melhoram a leitura e aumentam a chance de o trecho ser recuperado por um sistema de resposta. "Quando começa a vacinação contra a gripe em Caxias do Sul?" é melhor do que "Campanha de imunização tem início".

Um bom teste: leia apenas o intertítulo e o parágrafo seguinte. Se eles não fizerem sentido isolados, o bloco ainda não está pronto.

3. Marque tudo com dados estruturados

Dados estruturados em JSON-LD são a forma mais barata de explicar a uma máquina o que existe na página. Para veículos, o mínimo é o schema NewsArticle com autor, data de publicação, data de atualização, seção e imagem. Onde houver perguntas e respostas, use FAQPage. Onde houver passo a passo, HowTo.

Levantamentos de mercado apontam que a ausência de elementos como marcação schema.org, FAQ e tabelas comparativas reduz de forma relevante a presença da marca nas respostas geradas. São dados de fornecedores de tecnologia, não de estudos acadêmicos, mas a direção é consistente: página sem marcação exige adivinhação, e sistemas de IA preferem não adivinhar.

4. Assine com nome, rosto e histórico

Autoria verificável virou critério de seleção. Matéria sem assinatura, sem data visível e sem página de autor tem menos chance de ser escolhida como fonte, porque não oferece nenhum sinal de responsabilidade editorial.

Crie páginas de autor com biografia, área de cobertura, contato e histórico de matérias. Publique quem edita, quem apura e como corrigir um erro. Para um veículo local, isso é ainda mais forte do que para um grande portal: o seu repórter é conhecido na cidade, e essa reputação é um dado que nenhuma IA consegue inventar.

5. Decida conscientemente quem pode rastrear o seu site

Existe uma decisão que a maioria dos veículos ainda não tomou: permitir ou não que robôs de IA leiam o conteúdo. Vale conhecer os dois lados.

De um lado, bloquear significa desaparecer das respostas. Muitos sites bloqueiam sem saber, porque o CDN faz isso por padrão ou porque alguém copiou um robots.txt pronto. Vale abrir o arquivo e verificar como estão os agentes GPTBot, ClaudeBot, PerplexityBot e Google-Extended, além de checar nos logs do servidor quem realmente está passando por ali.

Do outro lado, a troca é desigual. Dados do Cloudflare Radar mostram que, em junho de 2026, os rastreadores de uma das grandes empresas de IA buscavam 857 páginas para cada visita devolvida ao veículo. Não existe resposta única aqui. Existe decisão informada, revisada a cada semestre, e registro de qual agente acessou o quê.

6. Produza o que a máquina não consegue produzir

Esta é a dica mais estratégica da lista. Consultados sobre prioridades editoriais, executivos de mídia disseram que vão investir mais em investigações originais, apuração de campo, análise contextual e histórias humanas, e reduzir conteúdo de serviço, evergreen e notícia geral, que a IA reproduz sem esforço.

Traduzindo para a realidade regional: a ata da câmara de vereadores da sua cidade, o preço da cesta básica no mercado do bairro, a entrevista com o produtor rural da região e a foto da ponte interditada não estão em lugar nenhum além do seu site. Esse é o conteúdo que gera citação, backlink, retorno de audiência e, em última instância, receita.

7. Trate a data como parte do conteúdo

Sistemas de resposta privilegiam informação recente e verificável. Publique data e hora visíveis, registre atualizações de forma explícita e mantenha o dateModified sincronizado com o que mudou de verdade.

Escolha de cinco a dez pautas estruturais da sua praça (transporte, saúde, segurança, emprego, obras) e mantenha uma página viva de cada uma, atualizada a cada novidade, em vez de publicar vinte notas soltas que se perdem. É menos trabalho e rende mais.

8. Garanta que a página seja legível por máquina

Muita reportagem excelente é invisível por motivos banais: texto que só aparece depois que o JavaScript roda, hierarquia de títulos bagunçada, tabela feita como imagem, PDF sem texto selecionável.

O básico resolve quase tudo: HTML entregue pelo servidor, um H1 por página, hierarquia de H2 e H3 coerente, listas e tabelas em HTML, imagens com texto alternativo descritivo e URLs estáveis. Se o conteúdo mais importante não aparece ao desativar o JavaScript, ele também não aparece para quem cita.

9. Experiência e publicidade fazem parte do conteúdo

Página lenta e poluída perde leitor, perde posição e perde valor de inventário. Acompanhe os Core Web Vitals, controle a densidade de anúncios, elimine deslocamentos de layout, defina tamanhos fixos para os espaços publicitários e priorize o carregamento do texto.

No lado comercial, a higiene é igualmente simples e igualmente ignorada: ads.txt correto e sem linhas herdadas de parcerias antigas, sellers.json coerente e inventário identificado. Anunciante nacional com verba planejada compra ambiente conhecido. Arquivo bagunçado tira o veículo da lista antes de qualquer conversa sobre preço.

10. Diversifique as portas e meça o que a IA faz com você

Depender de uma única fonte de tráfego é o risco central do momento. Newsletter, WhatsApp, YouTube, podcast, vídeo vertical e aplicativo próprio não são modismo: são as portas que restam quando um algoritmo muda. No Brasil, onde 33% das pessoas já consomem notícia produzida por criadores, o veículo local que tem rosto e voz na comunidade compete bem.

E meça. Separe no analytics as visitas vindas de assistentes de IA, acompanhe nos logs quais robôs acessam seu site e, uma vez por mês, faça as dez perguntas mais comuns sobre a sua cidade em um chatbot e veja quem é citado. Se não for você, já sabe onde trabalhar no mês seguinte.

O que muda do SEO clássico para a encontrabilidade em IA

Por onde começar nesta semana

  1. Abra o robots.txt e confirme quais rastreadores de IA estão liberados ou bloqueados.
  2. Escolha as cinco matérias mais acessadas do mês e reescreva o primeiro parágrafo em formato de resposta direta.
  3. Implemente NewsArticle e FAQPage em pelo menos um modelo de página.
  4. Crie ou atualize as páginas de autor da sua redação.
  5. Revise o ads.txt e remova linhas de parcerias que não existem mais.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é encontrabilidade em IA?

É a capacidade de um conteúdo ser localizado, compreendido e citado por sistemas de inteligência artificial que respondem perguntas, como assistentes e buscadores com resumos gerados. Depende de acesso técnico ao conteúdo, estrutura clara e sinais de credibilidade.

Qual a diferença entre SEO, AEO e GEO?

SEO busca posição em listas de resultados. AEO, ou answer engine optimization, busca ser a resposta apresentada diretamente ao usuário. GEO, ou generative engine optimization, busca ser citado dentro de respostas geradas por modelos de linguagem. As três se sobrepõem, e a base técnica é a mesma.

Devo bloquear os robôs de IA no meu site?

É uma decisão de negócio. Bloquear preserva conteúdo, mas elimina a chance de citação e de tráfego vindo de assistentes. Liberar amplia a exposição, em uma troca desigual: dados do Cloudflare Radar mostram centenas de páginas rastreadas para cada visita devolvida. O recomendável é decidir de forma consciente, registrar a escolha e revisá-la periodicamente.

O que é llms.txt?

É uma convenção emergente, inspirada no robots.txt, em que o site indica quais páginas considera mais relevantes para sistemas de IA. Ainda não é padrão consolidado do mercado, e não substitui dados estruturados nem o robots.txt.

Quais dados estruturados um portal de notícias deve usar?

NewsArticle para as matérias, com autor, datas de publicação e atualização, seção e imagem. FAQPage para blocos de perguntas e respostas, HowTo para passo a passo e Organization para os dados do veículo.

Conteúdo local ainda vale a pena com a IA resumindo tudo?

Vale mais. Modelos reproduzem o que já existe em muitas fontes. Apuração de campo, dados da sua cidade e entrevistas locais não existem em outro lugar, e é justamente esse material que vira citação e audiência recorrente.

Como medir se o meu conteúdo aparece em respostas de IA?

Separe no analytics o tráfego vindo de assistentes, acompanhe nos logs do servidor os acessos de cada robô e faça testes manuais, perguntando a chatbots sobre temas da sua cobertura para verificar quem é citado.

Quer aplicar isso com apoio da rede alright?

A rede alright reúne 2,2 mil publishers em 26 estados, conectando audiência regional a anunciantes nacionais com verba planejada. Entre os resultados de veículos parceiros estão aumento de 42% na receita programática em seis meses, CPM médio 3,1 vezes maior que o leilão aberto e 92% de preenchimento do inventário display. Além da monetização, os parceiros participam do Acelera, programa de capacitação em SEO técnico, SEO de conteúdo e monetização.

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